Apresentações

Apresentações sobre o processo de filmagem no Bairro da Quinta da Vitória (Portugal)

“Collaboration and Creation of a Living Archive: Filmmaking in Bairro da Quinta da Vitória, Portugal”; Carnegie Mellon University Department of Art; 25 de Setembro de 2014; Pittsburgh (USA);“Collaboration, Memory and Futurity: Filmmaking in Bairro da Quinta da Vitória, Portugal”; Duquesne University; Department of Psychologyt; 13 de Setembro de 2014; Pittsburgh (USA);

“Towards a Collaborative Aesthestic Praxis: Process of Filmmaking in Bairro da Quinta da Vitória”; Duquesne University; Department of Psychologyt; 4 de Julho de 2013; Lisboa (Portugal);

O nosso ponto de partida nestas conversas é uma introdução à geografia e à história da Quinta da Vitória, um bairro localizado na periferia de Lisboa em Portugal. Discutimos a vida quotidiana dos habitantes do bairro assim como o impacto que a demolição do bairro teve na vida dos seus moradores. Este bairro começou por desenvolver-se na década de 1960 por pessoas oriundas do interior de Portugal e, depois, de África e Índia, muitas das quais eram provenientes das ex-colónias portuguesas.
No final dos anos 90, um número significante de imigrantes vieram para a Quinta da Vitória para trabalhar na reconstrução da parte oriental de Lisboa. Naquela época havia cerca de 5.000 pessoas a viver no bairro. Em 1993 o governo implementou o PER (Plano Especial de Realojamento). Embora a demolição do bairro tivesse começado no final dos anos 90, esta terminou apenas em 2014. Alguns moradores foram realojados em habitações sociais localizadas na periferia de Lisboa. Aos residentes no bairro que não viviam na Quinta da Vitória antes de 1993 não lhes foi dado alojamento alternativo.
A maioria da comunidade hindu residente no bairro emigrou para a Inglaterra ou regressou à Índia. Hoje, o bairro é um espaço vazio, marcado apenas por algumas árvores, originalmente plantadas pelos moradores.poster

Sofia Borges tem-se dedicado a projectos colaborativos com os residentes da Quinta da Vitória desde 2006. Ela aborda aspectos do nosso processo colaborativo influenciado pela sua experiência anterior, incluindo como as suas experiências cultivaram as suas sensibilidades actuais no sentido de criar imagens deste lugar. Aborda a prática da artística a partir de Hal Foster (a arte quase-antropológica), de Henri Bergson (a intuição, a duração e apreensão da realidade), relacionando estes conceitos com o processo colaboração com os moradores do bairro Quinta da Vitória e a construção deste filme.
Sofia Borges descreve o seu envolvimento com projectos paralelos ao filme (construção de um jardim público feito com as árvores do bairro da Quinta da Vitória, e como estes projectos e processos (criativos e colaborativos) se encontram relacionados.
Suzanne Barnard justapõe uma discussão sobre conceitos teóricos com conceitos emergentes da nossa própria prática cinematográfica. Ela incorpora certos conceitos de (entre outros), filosofia do cinema de Deleuze (ex. imagem-tempo, imanência, futurity) filosofia de Deleuze e Guattari (assemblage, devir), e prática cinematográfica etnográfica sensorial (ex. a imagem háptica) a fim de elaborar, no seu entendimento, duas questões relevantes no nosso projecto.
1. Como é que as noções de “colaboração” e “sujeitos” e / ou “elementos” de um processo colaborativo podem ser compreendidos?
Podem as práticas colaborativas abordar disparidades na posição do sujeito para aqueles que se encontram envolvidos no projecto (por exemplo, disparidades em meios socioeconómicos, no enfranchisement político e/u na representação cultural e, se sim, como?
Haverá ou não práticas de colaboração no cinema, que tendem a resistir mais que outras, à reprodução de clichés e modelos de representação?
Por exemplo, como é que as práticas colaborativas no cinema podem resistir às questões problematizadas pelas noções de “dar voz aos outros”, “contar a história dos outros”, ou a previsibilidade do cineasta ou do filme poderem falar em nome dos oprimidos ou das pessoas culturalmente marginalizadas?
2. Como é que os conceitos de tempo, memória e história podem ser conceptualizados em relação a uma produção cinematográfica colaborativa, como a nossa?
A nossa prática cinematográfica colaborativa reconhece que um filme não é um “documento” da realidade pré-existente, mas que compreende uma história, um arquivo, através da participação colectiva e/ou agregada daqueles envolvidos com a sua produção.
(Por exemplo, no caso do nosso trabalho na Quinta da Vitória, este processo pressupõe diferentes noções culturais de tempo – o “tempo do dia a dia (quotidiano)”, o “tempo de vida” e o “tempo cosmológico” – que são diferentes, entre outras coisas, estas diferenças tiveram um impacto na compreensão, no investimento na memória pessoal e em reconstruções de eventos passados). Por estas razões, uma prática cinematográfica colaborativa deve desenvolver os meios (ex. estéticos, interpessoais, tecnológicos) para a compreensão deste, simultaneamente, improvisacional híbrido AND (potencialmente) temporária e historicamente profundo processo na realidade material do filme, em si mesmo.
Suzanne Barnard e Sofia Borges em 25 Julho de 2013